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‘Além de preto, é viado’: a discriminação racial dentro do mundo gay

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“No mundo hétero, acho que eu sofro mais preconceito por ser gay e no mundo gay eu sofro mais preconceito por ser negro”. Essa frase eu escutei de um personagem no trailer do documentário Waiting for B, de 2017 e, desde então, foi o clarão necessário para perceber que não estava sozinho. E isso sempre foi uma conclusão para mim: sofri muito mais preconceito na sociedade por ser gay e, entre os LGBTs, por ser negro.

 

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A resposta do por que isso acontece talvez seja que a comunidade LGBT+ ainda está impregnada com a heteronormatividade, em que os mais aceitáveis ou desejados são os gays brancos, que fazem a linha masculina e muita vezes aparentam ser ativos. Ser o oposto disso, que é exatamente o que eu sou, é lutar contra uma maré.

 

Desde a escola, lembro de alguns colegas me associarem como a pessoa que rouba, que é trambiqueira, promíscua e escandalosa, mesmo na brincadeira. Simplesmente pela minha cor e ao menos, sem me conhecerem. Na época, isso nunca foi uma chateação. Com a maturidade, pude compreender o que esse discurso e percepção representava para a sociedade preconceituosa, que você deve saber como é.

 

Na adolescência até a fase adulta, os comentários que me perturbavam eram sempre de que eu não deveria reproduzir as coreografias que as divas, principalmente a Beyoncé, faziam. Sempre ouvia um: “amigo, não”. E foi nessa época que eu comecei a perceber que eu nunca fui uma pessoa que recebeu algum tipo de cantada em lugar público e sempre coube a mim ir atrás dos meus crushes. E com o tempo, fui notando os realces de racismo velado e sentindo a solidão do homem negro LGBT+.

 

“Nunca fiquei com um negro, gostaria de provar”

 

Aplicativos, por exemplo, fujo deles. E essa distância é pelas coisas que leio e pelas terríveis experiências com pessoas que se colocam acima das outras por estarem presas ao padrão heteronormativo, sem ao menos perceber o quão racista são, na prática. O que escuto há anos é que a comunidade LGBT+ é uma das mais preconceituosas que existem, e isso eu vivo na prática.

 

Inclusive, para produzir este artigo, conversei com pessoas LGBTs, homens e mulheres, para saber deles um pouco de alguns casos que já tenham sofrido. Duas coisas foram unânimes: o relato de fetiche de pessoas brancas com o que eles idealizam sobre as pessoas negras. “Nunca fiquei com um negro, gostaria de provar”, foi o que ouviu o Émerson Vinicius Costa, 28.

 

“É comum escutar que os gays são preconceituosos e ouvir isso da boca de quem é LGBT+”

 

E não para por aí. O Victor Rodrigues, 22, já foi cantado com “você não é negro, você é, sei lá… Tem um bronze meio… latino”. O cara se sentiu atraído por isso. Outro ponto é que esse tema ainda é um lance de reflexão e entendimento que não está claro, e que são esses casos pontuais que nos fazem perceber o comportamento racista de algum amigo ou até mesmo de um companheiro.

 

É comum escutar que os gays são preconceituosos e ouvir isso da boca de quem é LGBT+, assim como perceber que o padrão heteronormativo se sobressai pela causa LGBT+. A luta contra o racismo na sociedade nunca irá cessar. Essa é uma batalha constante, igualmente dentro da comunidade, onde os seus sofrem apenas por ser quem são, mas reproduzem os reflexos machistas e discriminatórios de uma sociedade intolerante. Até quando serei um corpo discente que não se encaixa em nenhum lugar por não seguir o padrão?

 

Texto por VICE BRASIL

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1 thought on “‘Além de preto, é viado’: a discriminação racial dentro do mundo gay

  1. Não posso falar com propriedade sobre esse assunto no quesito em “sentir na pele” esse tipo de preconceito, mas já ouvi muitos comentários desse tipo da boca de amigos e familiares, que ao avistar um negro e gay o comentário é quase sempre o mesmo: olha esse negão e ainda por cima é viado. E por ai vão os comentários homofóbicos e racistas que ouço nesse mundo preconceituoso. É triste, muito triste mesmo saber que ainda existem pessoas com uma cabeça tão arcaica e preconceituosa nesse mundo. Eu mesmo já sofri muito preconceito por ser gay, desde os tempos de colégio até mesmo na faculdade. O que não podemos deixar é que eles nos calem e nos oprimem pra “sermos” quem eles, o que a sociedade manda. Um vai a pqp bem HUGE na cara desse povo homofóbico e racista.

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